RELICÁRIO Amigo olho pra você Como quem olha para o lírio na solidão do vale, Amiga olho pra você Como quem olha para evanescência passional da água, Translúcido azul na eternidade das ilusões. Não queria vê-los desfalecerem na razão dos tempos, Só consigo vê-los em sonhos. Queria senti-los somente na eternidade dos diamantes, No espírito das antigas montanhas, Na paixão dos selvagens na savana. Amiga, amigo, o que terão de mim (ou o que terão de nós)? Só o espólio de ventos da minha presença, Que por eras mora no coração das feras e dos que me amam ou temem. Mas sabeis, deixo-lhes por bendita ou maldita herança, Minha alma cravada em seus olhos E minhas cinzas para sempre queimando em seus corações.
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RETRATO INDECIFRADO Eis que por estar Assim tão longe de ti É que me mantenho tão perto. Sei que não gostavas De perturbar os silêncios, Por isso ora levo meu barco Para o remanso dos dias intensos Em direção ao murmúrio das águas. Sei também que não deixastes Solução para os enigmas Dos amanheceres incertos E dos caminhos sem voltas, Por isso dia a dia edifico Esta rota de delírios Vereda de espinhos e rosas mortas. Eis que por estar Assim tão longe de ti É que me mantenho tão perto. Para qualquer observador Que estiver à margem Este retrato parecerá Tão indecifrável Até mesmo uma insanidade. Mas sabemos por nosso Desconhecido pacto Que...
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Presença sem moldura Aqui estamos nós: vento na pradaria, invadindo velhas estâncias; canto das águas profundas, moldando abismos. Aqui estamos nós: chuva ritmada nas noites sequestradas; laçando lonjuras, com a incerteza dos sonhos. Aqui somos nós: híbridos seres? Esculpindo sóis, no deserto dos desejos e na urgência dos dias.