Postagens

  RELICÁRIO Amigo olho pra você Como quem olha para o lírio na solidão do vale, Amiga olho pra você Como quem olha para evanescência passional da água, Translúcido azul na eternidade das ilusões. Não queria vê-los desfalecerem na razão dos tempos, Só consigo vê-los em sonhos. Queria senti-los somente na eternidade dos diamantes, No espírito das antigas montanhas, Na paixão dos selvagens na savana. Amiga, amigo, o que terão de mim (ou o que terão de nós)? Só o espólio de ventos da minha presença, Que por eras mora no coração das feras e dos que me amam ou temem. Mas sabeis, deixo-lhes por bendita ou maldita herança, Minha alma cravada em seus olhos E minhas cinzas para sempre queimando em seus corações.
  Estranha ao ser humano é a vida humana.
  RETRATO INDECIFRADO                                      Eis que por estar Assim tão longe de ti   É que me mantenho tão perto.   Sei que não gostavas De perturbar os silêncios,   Por isso ora levo meu barco Para o remanso dos dias intensos Em direção ao murmúrio das águas.   Sei também que não deixastes Solução para os enigmas   Dos amanheceres incertos E dos caminhos sem voltas,   Por isso dia a dia edifico Esta rota de delírios Vereda de espinhos e rosas mortas.   Eis que por estar Assim tão longe de ti   É que me mantenho tão perto.   Para qualquer observador Que estiver à margem   Este retrato parecerá Tão indecifrável Até mesmo uma insanidade.   Mas sabemos por nosso Desconhecido pacto   Que...
Há uma vazio em nós que nunca conseguimos preencher,  neste lugar moram as tormentas. Uns carregam pela vida voos de pássaros nos ombros, outros somente revólveres na cintura: faça sua escolha.
Imagem
A natureza e eu temos uma irmandade.  E vivemos em estados alterados, Na alucinação da poética policromia Das nossas presenças.
A alma viaja com o corpo, pois temem se perder no caminho passageiro.
Presença sem moldura Aqui estamos nós: vento na pradaria, invadindo velhas estâncias; canto das águas profundas, moldando  abismos. Aqui estamos nós: chuva ritmada nas noites sequestradas; laçando lonjuras, com a incerteza dos sonhos. Aqui somos nós: híbridos seres? Esculpindo sóis, no deserto dos desejos e na urgência dos dias.