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INSTANTE          A vida semelha um galope ligeiro; uma espécie de cavalgada onde a poeira e as paisagens vão se conformando em nós; e aos poucos penetrando e saindo de nossa alma desavisada. E, no mais das vezes, não nos damos conta do mundo infinitesimal que nessa trajetória lentamente se evolve. Nossas lembranças, querelas tão tênues, vão se formando nesse nosso universo vivencial feito de paixões fragmentadas, de anseios bem ou mal formados, de sonhos partidos e realizados.       Cedo ou tarde aprendemos que é o cotidiano e suas faíscas envolventes tudo que temos; nele nosso universo cultural, desavisadamente, nos forma como seres pensantes. Nossa língua, como há muito já foi dito pelo poeta, torna-se nossa pátria, nossos hábitos tornam-se o arrimo que seguidamente nos constroem como seres livres e soltos no mundo.        Nessa trajetória fragmentada pouco se ganha e talvez muito se perca; porque na maiori...
PAISAGEM Só no poema dos poetas a paisagem re-pousa tranquila (ali ela não se sente indigna). Foi onde encontrou abrigo depois de tantas agressões ao seu sagrado simbolismo. Só ali ela pôde  depois do advento do homem seguir cumprindo seu misterioso desígnio:  consigo mesma deleitar-se!                                                                                                                           

Sem lugar o caminho

Todo caminho na verdade é sem volta!  Assim como todo ato propicia um novo fato: No tempoespaço o outro e o eu são só partes do constante devir do universo. Depois que alguém, ou algo, parte de um ponto, lugar ou circunstância uma nova cadeia de eventos ali se instala e uma outra tem início. Quando retornamos pra um lugar de partida, sempre o encontramos transformado. Para onde fomos também aquele lugar transformamos.  Movimento, chegada e partida são eventos eternos e não importa a escala. O universo vive dessa alquimia que se chama transformação e transfiguração. Mesmo o que não muda se transforma. Mesmo o estático é um forma sutil de movimento. O movimento não tem necessidade do que se chamaria melhor ou pior. Ele só é entidade demiurga! O novo é velho, o velho é novo. O tempo histórico é uma ilusão escalar.  É o eterno retorno entre nós do que se convencionou chamar cultura .     Tudo é e somos somente aparições.
    Publicado pela Câmara Brasileira dos Jovens Escritores, 2011 Disponível em: http://www.camarabrasileira.com/cmn11-018.htm O CAMINHO    As narinas dos cavalos arfavam, soltando labaredas de vapor quente. A manhã fria se punha estendida pela terra. Salazar pensava e ardia em febre, preso à algibeira do cavalo negro do seu detrator; à noite dormira entre os animais e o cheiro deles já lhe era familiar, sentia-se parte do mundo deles, como irmãos. Não porque os animais são maltratados, açoitados e amaldiçoados como ele; mas porque tinham afinidades, muitas afinidades. O instinto severo e espontâneo os unia, a vontade de liberdade lhes era comum, a ânsia de cruzar largos campos, continentes inteiros, ir para o poente, atravessando caminhos desconhecidos e rios selvagens. Esse espírito primitivo e essa sanha os aparentavam, intimamente. Lentamente a tropa foi tomando caminho pela densa mata, através da estrada indicada pelos ...
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LONGING ou simplesmente SAUDADE!   Um dia inesquecível no sítio dos meus pais no início da década de 1970 no Norte Pioneiro Da esquerda para direita: eu e minhas irmãs Cleuza (para sempre na memória e no coração)  e Cleomar
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  MANHÃS "modorrentas" CURITIBANAS!                                                                                                                                                              ...
VISITAS DO ARTISTA Para Gilberto Rosenmann Fizesse sol ou fizesse chuva lá vinha ele! Quase todos os dias, meio que cambaleando por causa do antigo acidente de automóvel, lá vinha ele. Algumas vezes trazia nas mãos uma sacolinha com alguns doces, ou um quadro pintado, outras o pão que já tinha comprado na Viana: — Pro café. Dizia. — Posso ligar pra Solange? — Claro Gil! Senta aí e liga pra ela. E depois disso ficávamos, por um bom tempo, em silêncio; outras vezes ríamos, antes de desandar no bate-papo. Do que ríamos? Até hoje não sei direito. Só sei que ríamos e depois vinha um breve silêncio, por alguns segundos. Parecia uma espécie de mantra; sei lá. Um tipo de cumprimento especial que só existia entre nós dois, como esses cumprimentos de chegadas e partidas, cerimoniosos ou lacrimosos, que encontramos entre tribos indígenas. Por vezes, depositava os embrulhos no chão ou os segurava entre as pernas mesmo. E soltava umas pérolas. Que já eram consenso, pois já sa...