CONCILIAÇÃO Então és tu ó tempo! [Aparição informe Que torna todas as coisas transitoriedade] Algo que parece estar sempre Dentro de mim. E és tu espaço? [Estado aéreo e solitário Que junta as coisas por necessidade] Algo que parece estar sempre Fora de mim. Por que este hipnótico jogo Com minhas sensações? Irmanaram-se eu sei Em algum momento, Quando eu, para o mundo rebentava, Informe frêmito. Que é feita da minha intuição E que ruínas minha sensibilidade? Por este feitiço Vejo tudo junto apodrecer e passar, Como a maçã solitária Sobre a mesa Sem a indulgência de um olhar. E se me decomponho, neste hiato, Eis que me apodero de mim Pra que seja, inteiro cosmo, Para um simples fato.
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O NOVO O novo é o diferente Sobre as várias formas. É quando muitas coisas Já foram embora, Mas o tempo não. O novo é o tempo Que se mostra em espaço, Para que no seu fluxo Exista o lugar, Para toda coisa. O novo é o olhar que sonha, E cada vez modifica A mesma coisa que vê. É a coisa que mudada, Procura por Um outro olhar E um sonho. Como o sol Que todo dia O mesmo nasce, Mas para os pássaros É sempre uma novidade. O velho mantém Um laço com o novo, Como a flor que brota Sobre um ramo Que antes veio. Se morre o ramo Não nasce a flor. O novo é um destino Realizado, Que nunca soube A que foi destinado. É triste ver no mundo Quem não vê o novo, Mas é tolo quem pensa Que o novo se faz Pela exclusão...
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Do artístico embriagável Todas as formas falam conosco Não mais empreguemos nada a elas, Elas lutam a batalha inglória da conquista Dos nossos corações. Todas as verdades desses combates São cingidas do sonho, do delírio, Da luta incessante dos nossos instintos, Do gozo, dor, do prazer e dos impulsos. Somos todos vitoriosos derrotados. Mas que é isso que está conforme? Senão a contracorrente da natureza, Dos instintos que prazerosamente campeiam, O embate contra a transcendência dos desejos Que enfraquecidos nos formam humanos e artistas. Destruidores de formas sejamos, Lançando nossos corações ao abismo, De volta aos braços do obscuro, do (in)desejável. A natureza há de querer de volta seus filhos perdidos! Solenemente este artístico impressionável se quebra, Quando cobertos de flores selvagens O cortejo de um deus nos levar de volta. Como oferenda à terra em comunh...
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RELICÁRIO Amigo olho pra você Como quem olha para o lírio na solidão do vale, Amiga olho pra você Como quem olha para evanescência passional da água, Translúcido azul na eternidade das ilusões. Não queria vê-los desfalecerem na razão dos tempos, Só consigo vê-los em sonhos. Queria senti-los somente na eternidade dos diamantes, No espírito das antigas montanhas, Na paixão dos selvagens na savana. Amiga, amigo, o que terão de mim (ou o que terão de nós)? Só o espólio de ventos da minha presença, Que por eras mora no coração das feras e dos que me amam ou temem. Mas sabeis, deixo-lhes por bendita ou maldita herança, Minha alma cravada em seus olhos E minhas cinzas para sempre queimando em seus corações.
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RETRATO INDECIFRADO Eis que por estar Assim tão longe de ti É que me mantenho tão perto. Sei que não gostavas De perturbar os silêncios, Por isso ora levo meu barco Para o remanso dos dias intensos Em direção ao murmúrio das águas. Sei também que não deixastes Solução para os enigmas Dos amanheceres incertos E dos caminhos sem voltas, Por isso dia a dia edifico Esta rota de delírios Vereda de espinhos e rosas mortas. Eis que por estar Assim tão longe de ti É que me mantenho tão perto. Para qualquer observador Que estiver à margem Este retrato parecerá Tão indecifrável Até mesmo uma insanidade. Mas sabemos por nosso Desconhecido pacto Que...