Poesias, Contos e Crônicas






AQUI VERÁS ALGUMA LITERATURA
PEQUENO CADERNO DE EFÊMERAS NOTAS
OU PEQUENA AVE DE RARAS PLUMAS

sábado, 18 de março de 2017

Canto à noite

Pergunto na noite clara
À lua amiga
Pra que me digas
Aonde andas
E se ainda tu me levas
Em pensamentos.

Preciso saber agora
Antes que a aurora
Adormeça meus sentimentos.

Quem dera quem dera
Encontrar-te na noite clara
Pra reviver os bons momentos.

Pergunto na noite clara
À lua amiga
Pra que me digas
Aonde andas
E se ainda tu me levas
Em pensamentos.

Preciso saber agora
Antes que minha alma
Se conforte com meus lamentos.

Quem dera quem dera
Encontrar-te
Encontrar-te

E de mãos dadas
Na noite clara
Ouvir da lua:
Eternamente
Eternamente.












quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017


ENTRE DOIS AMORES

Mesmo que se atreva o tempo
Ao meu coração de cera!

Algo o vencerá:
Um fogo secreto e silente.

Cujas chamas
Teimarão em arder

Pela eternidade.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Me invade a maior 
Das saudades!

Qual paisagem
Coisa
Forma que desinforma.
 
Antimatéria.

Perspectiva etérea
O liminar
Do que é claro e escuro.

A maior das saudades.

A saudade do futuro!



sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

YUMI



                                                                                         (1966-2016)

O amor é a alegria de Deus
Todo o universo vibra
Com a cósmica euforia
Do seu acontecimento.

Dos corações
Mágicos cristais
Partem seus desígnios
Como pétalas de flores
Que se espalham ao vento. 

Porque te amo
Porque me amas
Nossas almas unidas
É sagrada melodia
Na eternidade do tempo.
                                                  José Luiz de Carvalho

sábado, 9 de julho de 2016

INSTANTE
José Luiz de Carvalho

         A vida semelha um galope ligeiro; uma espécie de cavalgada onde a poeira e as paisagens vão se conformando em nós; e aos poucos penetrando e saindo de nossa alma desavisada. E, no mais das vezes, não nos damos conta do mundo infinitesimal que nessa trajetória lentamente se evolve. Nossas lembranças, querelas tão tênues, vão se formando nesse nosso universo vivencial feito de paixões fragmentadas, de anseios bem ou mal formados, de sonhos partidos e realizados. 

     Cedo ou tarde aprendemos que é o cotidiano e suas faíscas envolventes tudo que temos; nele nosso universo cultural, desavisadamente, nos forma como seres pensantes. Nossa língua, como há muito já foi dito pelo poeta, torna-se nossa pátria, nossos hábitos tornam-se o arrimo que seguidamente nos constroem como seres livres e soltos no mundo.

       Nessa trajetória fragmentada pouco se ganha e talvez muito se perca; porque na maioria das vezes queremos viver o tempo à frente, aquele que idealizamos e que um dia naturalmente chega; mas, invariavelmente, muito diferente daquilo que sonhamos ou projetamos. O tempo à frente, que chamamos também futuro, tem sua própria e secreta lógica, ou forma de ser; não o dominamos e no fundo jamais poderemos prever a completude dos seus eventos. Mas nesse galope, porém, há algo que se chama instante – que é, em essência, o futuro presente! Este possui uma mágica secreta que continuamente se põe junto a nós, e em nós, como a construção fundamental da nossa efêmera existência; pois é ele que – como paisagens empoeiradas – lentamente construirá aquelas nossas lembranças, que distribuirá as lides dos nossos feitos, que edificará as verdades ou verdades desejadas da nossa biografia; o futuro a ele está intimamente ligado, por gênese, por uma necessidade cósmica.

       Porque tudo que essa cavalgada louca conformar em nós e “pra trás” é o que se chamou um dia instante! E no fruir dele é que se forma esse fio delgado de sentimentos, sensações e aprendizados; esse tropel de lembranças que pode ser chamado de memória. E é ela que nos torna humanos demasiadamente humanos! A cotidianidade e as sucessões de instantes, que também se chamará passado, molda nosso ser e seremos lembrados pelo que praticamos, pelo que fizemos e edificamos. 

        Então vivê-los e deles extrair e beber a seiva mais rara deveria ser a missão da nossa vida! Fazer o bem, amar as pessoas e viver a mágica maravilhosa dos instantes é nossa senda secreta nessa cavalgada incessante; e só assim nosso antigo coração de criança estará preparado e liberto para um dia adormecer nos braços do tempo, como outrora adormecíamos nos braços da mãe!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016


Paisagem


Só no poema dos poetas a paisagem
re-pousa tranquila
(ali ela não se sente indigna).

Foi onde encontrou abrigo
depois de tantas agressões
ao seu sagrado simbolismo.

Só ali ela pôde 
depois do advento do homem
seguir cumprindo seu misterioso desígnio: 
consigo mesma deleitar-se!

                                           J. L. Carvalho
                                                Fevereiro, 2016
                               




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Sem lugar o caminho

Todo caminho na verdade é sem volta! 
Assim como todo ato propicia um novo fato:
São nós no espaçotempo que fazem parte do constante devir do universo.

Pois, depois que alguém, ou algo, parte de um ponto, lugar ou circunstância uma nova cadeia de eventos ali se instala e uma outra tem início.

Quando retornamos pra um lugar de partida, sempre o encontramos transformado. Para onde fomos também aquele lugar transformamos. 

Movimento, chegada e partida são eventos eternos e não importa a escala. O universo vive dessa alquimia que se chama transformação.

Mesmo o que não muda se transforma. Mesmo o estático é um forma sutil de movimento.

O movimento, porém, não tem necessidade do que se chamaria melhor ou pior. Ele só é entidade demiurga!

O novo é velho; o velho é novo. O tempo histórico é uma ilusão escalar. 
É o eterno retorno do que se convencionou chamar cultura

quarta-feira, 30 de setembro de 2015


  
Publicado pela Câmara Brasileira dos Jovens Escritores, 2011

O CAMINHO  
J. L. de Carvalho

As narinas dos cavalos arfavam, soltando labaredas de vapor quente. A manhã fria se punha estendida pela terra. Salazar pensava e ardia em febre, preso à algibeira do cavalo negro do seu detrator; à noite dormira entre os animais e o cheiro deles já lhe era familiar, sentia-se parte do mundo deles, como irmãos. Não porque os animais são maltratados, açoitados e amaldiçoados como ele; mas porque tinham afinidades, muitas afinidades. O instinto severo e espontâneo os unia, a vontade de liberdade lhes era comum, a ânsia de cruzar largos campos, continentes inteiros, ir para o poente, atravessando caminhos desconhecidos e rios selvagens. Esse espírito primitivo e essa sanha os aparentavam, intimamente.
Lentamente a tropa foi tomando caminho pela densa mata, através da estrada indicada pelos canibais. Salazar arrastava-se, seu corpo já não lhe pertencia mais. A tropa aligeirou-se, para trás ficou o rio que os selvagens chamavam Itararé. O índio enrodilhou-se em torno de Salazar.
- “Juruá, Peabiru!”. Batendo-lhe violentamente nas costas apontou para o alto da escarpa arenosa, que se divisava logo à saída da densa mata.
“Lá é o oeste, acho?”, pensou Salazar. O oeste, onde o sol se põe e onde um povo mítico mora nas montanhas altas e se veste de ouro e prata. Pelo menos é isso que ouviam todos os degredados, aventureiros, conquistadores e escravos, ou tornado escravos - como ele, Salazar! - ao aportarem nestas terras, campos e matas sem fim, depois de cruzarem o grande oceano. Salazar ainda se lembrava do porto de chegada. “Superagui”, diziam os selvagens. Antes de ser arrastado como escravo na tropa do capitão espanhol, através da grande serra, ele amara como ninguém aquela baía maravilhosa e a índia com que foi presenteado.
A tropa ascendeu à escarpa através das pequenas trilhas, as rochas arenosas se esfacelavam nas patas dos cavalos. O capitão já assentava a tropa no alto da escarpa, enquanto lá embaixo Salazar e outros prisioneiros escalavam as rochas íngremes. O índio gritava: “Juruá! Juruá!”. No alto da escarpa ele achou linda a vista dos campos e planaltos do leste que deixavam. Até mesmo para ele, um degredado, abandonado por deus, a poesia parecia a única coisa com a qual se podia descrever aquela visão esplêndida. Salazar agora sabia, passara a desejar essa terra, sua única companheira e nela poderia morrer. Quando se olhava para o oeste, imensos campos apareciam entrecortados de matas de pinheiros nos grandes vales. A brisa era suave e aromática. O caminho se divisava, delineado pelos campos. “Peabiru!”, mugiu Salazar.
Depois do descanso a tropa tomou rumo novamente. Dia e noite galgando o chão bruto, a terra que fora branca começava a ficar vermelha. Mais bruta e forte, como a dor, a angústia e o amor perdidos no coração de Salazar. À noite, um véu espesso cobria os animais e homens em descanso, quando longe se ouviu um grunhido aterrorizante. Repentinamente, o índio lhe açoitou as costas.
- “Jaguará-etê!”. Passando-lhe uma caneca de porongo cheia do que chamam cimarrõn os espanhóis.
- “Caá”. Falou. Rindo da sua cara assustada e do seu martírio.
Dos campos vieram outras matas ao longo do caminho. A terra cada vez mais vermelha, as matas mais úmidas e densas. Atravessaram o rio das corredeiras do diabo que desemboca no grande rio dos sete saltos. Salazar, exausto, escravo da vida que não escolhera trilhar, sonhava com o reino dos homens de ouro e prata e se imaginava liberto, como Jaguará-etê. Via seus dentes afiados e seu olhar furtivo em meio às matas. “Se fosse eu uma Jaguará, o que faria?”. Pensava Salazar. “Uivaria e todos os homens se assustariam, atacaria as tropas, fugiria, livre como só ela pode ser!”. Estes pensamentos agora o atormentavam, em delírio, quase morto, um trapo, um escravo, um filho de sangue mouro e lusitano perdido nas mãos daqueles que dominam a terra. Não a amam como ele. “Ivaí é o homem, liberdade é morrer!”. Murmurou Salazar. E esse pensamento dormiu com ele.
A aurora trouxe o ruído moroso e leve do grande rio dos sete saltos. Pela sua margem esquerda a tropa desceu, fazendo três pousos. O capitão iria pelas grandes quedas do rio que os selvagens chamam Iguassu. Agora ele desconfiava. Não iriam para a terra do povo de ouro e prata, iriam para a capital espanhola do Guairá. O Peabiru ficou longe e eternamente na memória de Salazar. O capitão resolvera buscar víveres que seriam trocados por mate, Caá, produzido pelos padres das cidades do Guairá. Três dias haviam ficado no Guairá, na Ciudad Real, traficando com os padres. A cidade o impressionou, como podia existir no coração das selvas.
Numa manhã cinzenta chegaram às grandes quedas. O coração de Salazar disparou, nunca vira um cenário mais imponente e belo, quase desfaleceu. Um arco-íris parecia fundir-se com as águas que mergulhavam na garganta de pedras negras e cortantes, o Iguassu fluía liberto. O barulho tomava tudo. O espírito de Jaguará-etê gritava no peito de Salazar. Ele, só ele, o náufrago, o degredado, o mestiço mouro e lusitano, o pai de filhos índios, o escravo, podia sentir tanta beleza dessa terra selvagem e viva. Essa terra sem nome, com tantos deuses tirânicos. Terra que os selvagens da costa chamam Pindorama.
Quis ser um rio, o Ivaí, ou o Iguassu, quis ser um caminho, o Peabiru. Quis ser livre como o poderoso rio do sul. Quis morrer.
Na madrugadinha, na aurora silenciosa, só ainda pequenos raios de sol despontavam e uma chuva fina e fria ainda lembrava a noite tropical. A tropa dormia, o capitão e o índio dormiam. Juan Salazar prostrou-se, livre, à beira da grande garganta. “Quem sou eu? Em que ano estamos? Não sei e o que isso importa; outros darão novos nomes a essa terra, a essas florestas, campos, rios e vales de rochas primitivas. Quem saberá de mim que tudo isso vi e tanto amei?”. Admirou-se finalmente daquele cenário divino. Lentamente fechou os olhos, precipitou-se para o abismo e seu corpo desapareceu nas águas.


                                                                                                                Setembro, 2010


quinta-feira, 13 de agosto de 2015




LONGING ou simplesmente SAUDADE!



 Um dia inesquecível no sítio dos meus pais no início da década de 1970 no Norte Pioneiro

Da esquerda para direita: eu e minhas irmãs Cleuza (para sempre na memória e no coração) 
e Cleomar



  MANHÃS "modorrentas" CURITIBANAS!






                                                                                                                                                                        

                                                                                                                                                             Fotos: JLC




Manhãs nevoentas em Curitiba

Até os pássaros despertam 

com uma sensação de

"não ainda!"






 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

VISITAS DO ARTISTA

José Luiz de Carvalho

Para Gilberto Rosenmann

Fizesse sol ou fizesse chuva lá vinha ele! Quase todos os dias, meio que cambaleando por causa do antigo acidente de automóvel, lá vinha ele. Algumas vezes trazia nas mãos uma sacolinha com alguns doces, ou um quadro pintado, outras o pão que já tinha comprado na Viana:
Pro café. Dizia.
Posso ligar pra Solange?
Claro Gil! Senta aí e liga pra ela.
E depois disso ficávamos, por um bom tempo, em silêncio; outras vezes ríamos, antes de desandar no bate-papo. Do que ríamos? Até hoje não sei direito. Só sei que ríamos e depois vinha um breve silêncio, por alguns segundos. Parecia uma espécie de mantra; sei lá. Um tipo de cumprimento especial que só existia entre nós dois, como esses cumprimentos de chegadas e partidas, cerimoniosos ou lacrimosos, que encontramos entre tribos indígenas.
Por vezes, depositava os embrulhos no chão ou os segurava entre as pernas mesmo. E soltava umas pérolas. Que já eram consenso, pois já sabíamos de antemão seus efeitos metafóricos e as circunstâncias sociopolíticas que sempre mirávamos e fulminávamos nesses nossos diuturnos convescotes literários.
Sabe Zé; quem não tem raízes, carrega valises!
E quem não tem valisere carrega as varizes! Por vezes, eu retrucava.
E ríamos como dois meninos bobos. Mas era um riso meio que desencantado, um riso dos libertados, um jeito de ser daqueles que já haviam vivido de tudo e que sabiam que a vida para nós não era mais feita de compêndios, grandes projetos e redundâncias. Era feita sim de breves momentos, instantâneos relâmpagos, passadiços instantes; como se já a recitássemos como um poema quase visual. A linguagem dos nossos encontros era uma linguagem símbolo.
E assim nos despachávamos a conversar sobre tudo; poesia, literatura, música, política, cultura. A crise do país, a arte como libertação dos homens; a fé, a necessária prisão dos povos. Sionismo, antissemitismo, América Latina, Estados Unidos; o Brasil. O Brasil era um tema recorrente em nossas conversas. Como pode o Brasil – tão culturalmente rico e diverso, concordávamos – ser ainda uma colônia. Uma colônia de banqueiros, do capitalismo internacional, uma colônia de empreiteiros (sem saber, antecipávamos a lava jato!), um país da alienação midiática. E assim íamos levando prosa e na mais das vezes bebericando um mate. Pois, já lá na chegada, entre os risos e silêncios, eu já ia dizendo:
Tomamos um chimarrão?
Claro!
Claro. Era sempre um claro; um sim, um sorriso, uma espiritualidade positiva. Jamais o vi espalhando desalentos, jamais veio trazer tristezas; entrava como uma brisa pela porta e como uma brisa partia.
Entremeando a cuia quente com nossas quimeras poéticas, certos assuntos por vezes se destacavam; um fato político local, uma exposição de arte, uma novidade literária (embora nossa praia fosse mesmo o passado, poetas e poetisas de outrora; isto é, dos tempos mais idos). Ainda ousávamos chamar as poetas de “poetisas”, coisa que nem se usa mais! Leminski estava quase sempre presente – ele gostava do polaco, eu já preferindo, sem dúvida nenhuma, a Kolody. Gostávamos de falar de filósofos, ele aceitava o meu Nietzsche, minha misantropia e meu niilismo; nunca me censurou por esse fanatismo. Enquanto a cuia ia e vinha, saia lá uma piada; um chiste. E ríamos de novo.
Zé, diga ai; na verdade não é o poeta um colecionador de estórias, que ele refaz como ideia nova?
Sei não Gil! (Já que de Gilberto quase nunca o chamava) Eu refletia.
Às vezes acho que o poeta é um lunático, um quebrador de sentidos e palavras; como as pedras se quebram nas lavras.
Lunático! Isso ai Zé, o poeta e o artista são uns aluados. Tudo é uma questão ideoplástica; tudo que se cria é a partir de uma ideoplastia!
Ideoplastia, um charmoso conceito? Na verdade pouco nos interessava qualquer conceito, nossa terra estava livre de cercas, nosso convescote se dava no descampado.
Nos últimos tempos começou a aparecer de bengala. Ficava até mais elegante com aquela bengala e a barba branca. Mas sua verdadeira elegância era o desprovimento de tudo, a liberdade não vigiada, o heretismo libertário (seremos dois eternos heresiarcas!). E assim foi que repentinamente deixou de aparecer; achei que andava por aí, espalhando abanações e solapando as fés cegas.
Teve um derrame! Disseram-me os meninos.
Tudo foi muito rápido. Resolveu do nada dar um salto pra eternidade, foi destilar sorrisos e ideoplastias em outras paragens. Fiquei chocado e triste com sua heresia em partir assim sem nenhuma despedida – mas ele, autêntico que era, nunca abandonaria o seu estilo. Sinto sua falta estimado amigo! E hoje sei que o poeta não é só um colecionador de estórias, memórias, palavras e sentidos quebrados; é, sobretudo, um colecionador de ausências.

terça-feira, 26 de maio de 2015

HIDDEN LOVE


Não sabemos direito
O que é o coração.

Do que é feito?
Batidas leves e aceleradas,
Sangue e músculos?

Imenso como o tempo
Ele ainda é segredo!

"Histórias entrecortadas"
É do que somos feitos,

Lembranças mal digeridas
Em tempos entrelaçados:

Só o coração esconde e sabe
De todos os danos e amores
Soterrados!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

IMPREGNAÇÃO


Viver impregnado de tempo e ser,
Eis meu destino. Viver à luz e sombra
Da desmedida das coisas,


Intocadas figuras nos seus
Trajes e esconderijos.


Que fortuna, infortúnio ou loucura.
Mas que vida é essa!
Medida às pressas, vários laços;
Ora o compasso, ora a desmesura.


Quantas lembranças soterradas,
Em escombros de sentido:
Malvada carne; tua, minha,
Qualquer que trago comigo.


Vivo, assim vivo!
Cultivando amor só a ti
- Indescritível -
Silente rosa que trago comigo.




segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Montanha do Marumbi enevoada em 14.12.2013 - vista sul do Santuário do Cadeado, Caminho do  Itupava - Paraná.

                                                                                                                                                                       Foto: JLC

 Caminho do Itupava - interior da Serra do Mar/ Paraná!
                                                                                                                                                          Foto: JLC
Excursão com amigos dia 14 de Dezembro de 2013 ao Caminho do Itupava. Caminho histórico que atravessa a Serra do Mar e liga Porto de Cima (Morretes) a Curitiba, Paraná.

Natureza e história brasileiras!

                                                                        Santuário do Cadeado - Caminho do Itupava (14.12.2013)

sábado, 7 de setembro de 2013

S/ título

Só no tempo
Se dá a beleza
Dos seres.

E a alegria
Do amor
Que o vence.







AMOR

Chega um tempo que amar
Já não basta.

Mais que amor
É o que não se decifra:

Para além de tudo
No encontro dos tempos. 




DES-ATOS

                                                                      Atos necessários!

                                                                                       

Atos necessários!

                                             Pra que? Por quê?


                                                                     Se os mais grandiosos
                                                                     Atos
                                                                     Se desatam
                                                                     Do desnecessário. 



domingo, 21 de abril de 2013


                                                                                                                                                                      Foto: Yumi




                                                 UMA BELA GARÇA URBANA! TRANQUILHA PESCANDO?



                                                                                                                                                                        Foto: JLC



Pôr-do-Sol no Parque Bacacheri, início de abril de 2013, já com frio de outono!


terça-feira, 19 de março de 2013

                                                                                                                                                             Foto: JLC


Esta é uma foto do pequeno beijaflorzinho que criamos em casa. Achamos-o caído no jardim ainda pequenino, cuidamos dele. Agora já está livre e belo na natureza. Quando quer, volta bebericar no lar onde cresceu!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013


                                                                                                                                                            Foto: JLC

 A SOLIDÃO NÃO É CASTIGO. É MOMENTO DE ESPERA E CRIAÇÃO!













                                                       SERRA DA GRACIOSA - PARANÁ.                                                     Foto: JLC


                                                                            UMA VISTA PRA QUEM AMA A NATUREZA!


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

MAIO


                                                                                                                                                                     Foto: JLC
Que fazes comigo
Tão enigmático outono?

Que inverno anuncias
À minha alma?

Me trazes grandes
Danações e enormes
Lonjuras.

Por que me tiras
A presença de um
Ser amado?

Talvez jamais saiba!

Mas contigo viverei
No cultivo de expectativas
E eternas saudades.




terça-feira, 1 de maio de 2012

DIMENSÃO


 
Alguns turvam
Suas águas.
                         
                             Assim não se vê
                             O que escondem
                           
                             Nos abismos
                             De suas mágoas.


Outros as tornam
límpidas.
                            Então podemos
                            Ver e aprender

                                            Da profundidade
                                            De suas almas.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Friendship

Tenho grandes
Amigos?

[ Num sonho recorrente
Que anos me vem ]

Uns são azuis
Outros lilases.

Uns com enormes dentes.

Outros se recompõem
De pássaros
Em dragões.

Com suas enormes
Asas.

Alguns correm
Por um estranho
Deserto.

Com uma lua
E um sol
Mortos na paisagem.

Como uma miragem.

Um sonho
Que se tornou
Atemporal.

Mitológico
Como a amizade.

Multidão

E disse Nietzsche:

Na trajetória
Da vida

[ Devíamos aprender! ]

Só realmente
Se vivencia
A si próprio.

É ilusão...
A multidão.

No name

Nada é longe
Para o coração.

Que é o lugar
Mais distante
Que se conhece.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

AUSÊNCIA

Para se estar presente
Em algum lugar.

Parece que de outro
Ausentamos.

Mas tudo retorna
Onde parte da alma
Deixamos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Graciosa

                                                                                                                                                                  Foto: Yuyu
       Que graça tem
           Viver sem prosa
                              E poesia...
                       

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

VOO

                                                                                            JLC











Ontem voavam
As Harpias
Hoje os aviões.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

sábado, 29 de outubro de 2011

SHORTCUTS

Tão logo, iniciaremos aqui também um novo diálogo com as amigas e amigos. Uma série cotidiana de CONTOS E POEMAS MINIMALISTAS. Que denominamos, quiçá provisoriamente, quiçá não, de SHORTCUTS.

IDÉIAS CONDENSADAS EM MÍNIMOS SIGNOS.
COMO OS DITIRAMBOS DO "VELHO" NIETZSCHE OU DO "NOVO" CARVER. OU AINDA DO HAIKU.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Pinheiro, ainda vivo!

Nasceste onde eu nasci. Creio que ao mesmo dia
Vimos a luz do sol, meu glorioso irmão gêmeo!

....

Estes dois versos iniciam o soneto Pinheiro Morto que o grande poeta simbolista Emílio de Menezes dedicou ao imponente Pinheiro do Paraná. Alguns deles ainda estão vivos! Que glória!

                                                                                                             Foto: JLC
Visto assim, da preguiça da janela,
Num dia chuvoso na terra das araucárias,
Ele fica mais lindo e soberbo ainda.

sábado, 8 de outubro de 2011

Serra

                                                                                                                               Foto: JLC

Ai está! No prolongamento da serra, a imponente montanha. O Marumbi!

                            Quantas vezes te perscrutamos, cruzando a serra pelo Caminho do Itupava

E que linda vista do Santuário do Cadeado em dias ensolarados!

                            E quantas vezes te apreciamos

No caminho de volta de Morretes...

                            Vão-se os homens, fica a montanha!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Distraídos venceremos?

                                                                                                                                                                       Foto: JLC



















                                                                Como ficar em paz com a consciência?
                                                                                                Se mesmo na solidão algo nos tange,
                                     Querendo nosso amor ou nosso sangue.